Eu devia ter unas oito anos. Sei que tinha chegado das aulas e preprarava-me para ir brincar para a rua quando fui ter com a minha mãe e pergunteilhe:
- Gostas de mim, mãe?
Ela deixou o que estava a fazer, limpou as mãos ao pano da cozinha e abraçou-me. Junto ao meu ouvido segredou "gosto muito, muito, minha filha" - parece que a estou a ouvir.
- Como o quê, mãe? - continuei eu.
- Como as estrelas do céu! - disse ela muito depressa.
- São tantas, mãe! Tu nem as podes contar.
- O meu amor por ti também é assim. Não se pode contar nem medir.
Jamais esquecerei. Naquele dia senti um amor tão forte que ainda hoje o sinto no meu coração.
Recordo-me que isto aconteceu porque tinha de fazer um texto sobre a minha mãe, para apresentar na escola.
À noite, mostrei o que escrevera á minha mãe. Ela contou-me da sua infância, do seu casamento, da alegria que sentira ao nascer cada um dos seus filhos, dos gostos e até me falou da sua vaidade. Falámos tanto nesse dia! Fui para o meu quarto e acrescentei mais frases á minha composição. A professora, no dia seguinte, aré disse que estava muito completa. A folha do meu caderno ficou cheia.
Pra falar, verdade, hoje vejo que a minha mãe não me confidenciou os seus sgredos, escondeu-me os seus sofrimentos e esqueceu-se dos seus sonhos que , com certeza, alguns ficaram por realizar. Mas, compreendo que naquela ocasião o que me disse foi o mais importante para mim.
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