Já é tarde, não sei o que escrever, mas o espaço em branco continua cá, já apaguei vários começos, mas como não escrevo á algum tempo, lembrei-me agora de uma historia que se passou comigo, estava na escola primaria, devia ter 7 anos, estávamos a ter leitura, todos de livro aberto na mesma pagina e a professora ia escolhendo o aluno, que ia lendo um determinado paragrafo, até o texto estar concluído, seguindo-se a fase das perguntas sobre texto , em que questionava sobre gramática e sobre interpretação, até que um dia teve a feliz ideia de nos mandar comprar um pequeno caderno em que as paginas eram divididas ao meio, ao alto, para fazer as famílias das palavras , pedi o caderno á minha mãe, que o comprou e pronto, lá estava de caderno aberto na aula a escrever o que a professora mandava , aquilo funcionava da seguinte maneira, ela dizia cão, e nós escrevíamos as palavras da família, cãozinho cãozão, etc. Aquilo no inicio ainda ia, mas depois tornou-se numa seca, deixei de escrever, achei que não tinha grande sentido, e pensei em aliviar trabalho, ponto final. Até que um dia numa famosa aula de leitura, a professora diz:
_Inácio, a família da palavra casa.
Chiça escolheu-me logo a mim, desfolhei o caderno,e na pagina a onde devia estar, casa e a sua família, estava em branco, e agora!Agora vamos ver o que se pode arranjar, ajeitei o caderno, fixei os olhos nas folhas em branco e comecei a dizer, casa, casinha, casarão, e também para meu azar, casota, assim que acabei de dizer casota, a professora começou a elogiar-me, que os meus colegas não tinham casota e era uma palavra da família de casa,e tinha feito bem em escreve la eu fiquei calado, só que o meu colega do lado não se calou ,abriu a boca e disse em bom som:
_Ele não tem nada escrito!
A professora abriu os olhos e veio na minha direcção, tirou-me o caderno, desfolhou-o, foi á secretaria dela , pegou na régua e voltou, fantástico, 10 em cada mão, queixas á minha mãe, que me moeu a cabeça, por causa dum espaço em branco e da palavra casota, fiquei com as ferias estragadas.Já se passaram 35 anos, é muito tempo, mas quando me cruzo no passeio com o colega que me denunciou, penso sempre , grande sacana. E mais forte que eu, não consigo evitar ah ah ah, adeus e divirtam-se.
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2 comentários:
Sua grande marota
Isso faz-se?
São lembranças de coisinhas boas, não é? Menos rugas, menos cabelos brancos, menos celulite (calo-me porque ainda levo uma sova dos mosqueteiros).
Desejo que esteja tudo bem com a equipa e consigo, naturalmente.
Bom fim-de-semana
Beijinho
António
Olá António,
É verdade, belos tempos :)
Parece que vivemos em tempos de extremos. Há uns anos eram os professores que batiam nos alunos quase sem mais nem menos e ai daquele que reclamasse. Hoje em dia é mais ao contrário e ai do professor que se lembre de abrir os olhos para os meninos. Não é verdade que tudo tem tendência a procurar um equilibrio? Porquê é que isso é tão dificil para o Homem?
Boa semana,
Carmen
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